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Desmatamento na Amazônia em 2021 é o maior dos últimos dez anos, diz Imazon

 


Gado pasta em meio à fumaça causada por um foco de queimada da Amazônia em Rio Pardo, Rondônia, em setembro de 2019. — Foto: Ricardo Moraes/Reuters


De acordo com dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do órgão, que monitora a região com imagens de satélites, 10.362 km² de mata nativa foram destruídos de janeiro a dezembro do ano passado, o que equivale à metade do estado de Sergipe.

 

A devastação em 2021 foi 29% maior que no ano anterior, quando 8.096 km² de floresta foram destruídos e o desmatamento na Amazônia já havia registrado a maior área desde 2012, aponta o instituto.

 

 

 

A organização não governamental destaca em seu site que "o recorde negativo anual é extremamente grave diante das consequências dessa destruição", apesar de ter havido redução de 49% no desmatamento em dezembro de 2021 em comparação com o mesmo mês do ano anterior. Em 2020, 276 km² haviam sido desmatados na região, área que foi reduzida para 140 km² em 2021.

 

Entre as consequências graves "estão a alteração do regime de chuvas, a perda da biodiversidade, a ameaça à sobrevivência de povos e comunidades tradicionais e a intensificação do aquecimento global", aponta o Imazon.

 

Florestas públicas federais protagonizam devastação

 

Quase metade da destruição registrada no ano passado ocorreu em florestas públicas federais, segundo o instituto, já que, após cruzamento de dados das áreas desmatadas com o banco de dados do Cadastro Nacional de Florestas Públicas do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), os pesquisadores observaram que 4.915 km² foram devastados dentro de territórios federais.

 

"Isso corresponde a 47% de todo o desmatamento registrado na Amazônia no ano passado. Apenas nessas áreas, a destruição aumentou 21% em comparação com 2020, sendo a pior em dez anos", constatou o Imazon.

 

Os territórios das unidades de conservação federais também registraram o pior nível de devastação da década, segundo o instituto. Essas áreas foram criadas para preservar a biodiversidade e os modos de vida sustentáveis de povos e comunidades, e tiveram devastação de 507 km² de mata nativa dentro dessas áreas protegidas, ou 10% a mais do que no ano anterior.

 

Nas florestas e unidades de conservação estaduais, também houve aumento da devastação. Nas florestas públicas estaduais, o desmatamento atingiu o maior nível acumulado da década, com um aumento de 26% em relação a 2020, diz o Imazon.

 

Outro recorde negativo foi alcançado nas unidades de conservação estaduais, com destruição de 690 km², ou 24% a mais do que em 2020. "Também o pior acumulado em dez anos."

 

Pará teve maior área desmatada

 

Imazon apontou ainda que, dos nove estados que formam a Amazônia Legal, somente o Amapá não teve aumento do desmatamento em 2021 em comparação com 2020. "Além de superarem a devastação registrada no ano anterior, Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins também tiveram as maiores áreas de floresta destruídas em dez anos", disse a organização.

 

"Líder histórico, o Pará manteve a primeira colocação no ranking dos que mais desmatam, com 4.037 km² devastados, 39% do registrado em toda a Amazônia. No estado, houve aumento da derrubada da floresta tanto em áreas federais quanto estaduais. Além disso, mais da metade das dez terras indígenas e das dez unidades de conservação que mais desmataram em 2021 ficam em solo paraense", lista o Imazon.

 

Apesar de ficar em segundo lugar em área desmatada, o Amazonas foi o estado que teve o maior aumento na devastação no ano passado em relação a 2020, tanto em áreas federais quanto estaduais. "Isso porque a destruição registrada em solo amazonense passou de 1.395 km² em 2020 para 2.071 km² em 2021, uma alta de 49%."

 

No ranking de desmatamento em 2021 do órgão, o Mato Grosso foi o terceiro estado que mais desmatou (1.504 km², um aumento de 38% em relação a 2020), seguido por Rondônia (1.290 km²) e Acre (889 km²) em área desmatada. Com 28% a mais de devastação, o Acre, no entanto, registrou o terceiro maior aumento em comparação com 2020.

 

 

 

Fonte: G1

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